quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Capítulo 4

A neve já começava a cair na grande Nova York. Já se faziam um pouco mais de quarenta minutos que eu estava fitando a pouca movimentação na rua pela janela. A cada barulho de passos que vinha de fora do apartamento que eu podia ouvir, meu coração se partia na mesma quantidade de flocos de neve que despencavam do céu ao lado de fora. Eu apenas não conseguia ficar sozinha, estava me sentindo uma garota insana que não conseguia sair de perto da janela só para poder acompanhar os passos do seu novo namorado que andava pela rua a procura de algum pequeno mercado aberto, algo não muito fácil no meio dessa nevasca.
Era loucura, mas depois de realmente senti-lo, a todo momento meu corpo gritava pelos seus lábios e seus olhares profundos. Meus pés simplesmente falhavam quando eu sentia sua aproximação. Era completamente insano.
Meus olhos se direcionaram para a cama bagunçada de lenções brancos me fazendo lembrar das ondas que se arrebentavam sobre mim nos últimos dias. Quase podia sentir a sensação dos beijos fortes, das suas mãos me puxando para perto. Sentia arrepios dos pés á cabeça apenas de recordar suas palavras sussurradas em meus ouvidos. Sua voz... Ah, sua voz! Me deixava a beira da loucura, fazia de mim uma garota em chamas.
Não me importava em não poder usar meus vestido vermelho essa noite em um jantar descente no melhor restaurante de Manhattan. Poderia até agradecer para a mídia, graças a minha tão sempre odiada mídia eu poderia apenas vestir suas camisas amassadas e sentir seus toques pela noite inteira.  Eu e ele, apenas nós dois envoltos por quatro paredes.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Capítulo 3

Não conseguia ficar parada enquanto os sermões de minha mãe chegavam em meus ouvidos. Andava de um lado para o outro sem parar, certas vezes olhava através da janela, procurando algum indicio de neve, como o jornal da manhã havia anunciado. Quando a voz do outro da linha se alterava começava a sentir um calor e então corria abrir as janelas e era atingida por uma rajada de ar gelado, mas quando a mesma voz ficava mais serena meu corpo já relaxava.
Realmente não estava com nenhum misero pinguinho de paciência em ouvir coisas do tipo, ''você está maluca? E se chegar até as lentes da mídia? Como teve coragem de fazer tudo isso sem me contar?''. Minha mente já estava cansada de ouvir essas palavras, certas vezes sentia uma vontade irresistível de jogar o celular na parede.
Então tudo isso para no final ouvir um ''Mas tudo bem querida, o que Conor fez com você foi completamente errado. Se você realmente ama o Taylor, não devo ter porque não apoiar, desde que isso não chegue logo aos ouvidos da mídia ficará tudo bem.''
Foi um grande alivio ouvir aquelas palavras, sabia que minha mãe não estava muito satisfeita com muitas atitudes, sem contar no fato de ter perdido duas entrevistas na primeira noite que passei nesse apartamento de hotel. Mas ela mesmo disse, iria ficar tudo bem.
Assim que desliguei a ligação coloquei o celular ao lado da televisão, que transmitia um filme em preto e branco, e me alonguei com um sorriso tranquilo no rosto.
-E tudo vai ficar bem.- Afirmou Taylor ao desgrudar os olhos das imagens antigas que se passavam na televisão.
-Vai.- Eu sorri e sentei em seu colo sem quebrar nossa conexão de olhares.- Não temos mais sobre o que nos preocuparmos, minha mãe disse que a mídia já sabe que estou solteira, mas acho que não precisamos mais se preocupar com isso.- Eu falei enquanto acariciava seu rosto.
-Não mesmo.- Ele mal havia terminado de largar suas palavras e seu rosto já estava a centímetros do meu, recebi um selinho rápido, mas quando já iria avançar para seus lábios, senti seus beijos, um pouco mais demorados, em meus pescoço, me fazendo jogar a cabeça para trás lentamente e soltar o meu riso infantil. Sim, realmente acho que ficaria tudo bem se apenas os relógios parassem nesse exato momento.



segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Capítulo 2

Acordei com meus olhos já lacrimejando, por causa da claridade que vinha de fora da minha nova bolha. Os raios do sol piscavam para mim ao ritmo da cortina que dançava conforme o vento soprava. O som do ponteiro do relógio de parede soavam como uma música irritante em meus ouvidos, e essa musiquinha não parava um segundo de me dizer '' Acorde, acorde, acorde...''.
Coloquei meus pés no chão e pude sentir o frio do piso que imediatamente se passou para o meu corpo, fazendo com que essa sensação finalmente me despertasse do meu recente sono profundo.
Fui até a sala e encontrei com um Taylor concentrado lendo o jornal, enquanto ouvia alguma música em um volume muito baixo.
-Não sabia que você lia jornal pela manhã.- Disse ao sentar ao seu lado no sofá e lhe lançando um sorriso.
-Eu sei que não pareço ser do tipo intelectual nem nada, mas tenho esse costume desde pequeno, sem contar que esse jornal tem uma coluna de esportes muito boa!- Disse ele dando um de seus sorrisos divertidos.- Enfim, sua mãe me ligou hoje.- Dessa vez, disse com uma expressão mais séria.
-Minha mãe?- Perguntei assustada.
-Bem ela mesmo, dona retardada.- Ele riu.- Realmente não acredito que você não ligou para ela, mas pode ficar tranquila, já disse que você não está passando fome, deixei bem claro que estou te alimentando para você não acabar desaparecendo.
-Ah, cale a boca idiota.- Tentei segurar minha risada infantil, mas era um tando difícil ao seu lado.- Acha que eu devo ligar para ela? Só sei que devo estar muito encrencada.
-Encrencada? Taylor, você já é uma mulher de 22 anos! Sua mãe vai entender, ela também já amou antes.- Disse ele de um jeito muito maduro, me impressionando com suas palavras, ele realmente havia virado um homem durante esse tempo que não estávamos juntos. Ele me passou o seu celular e retornei a ligação de minha mãe, após de alguns segundos intermináveis do meu lado da linha, minha mãe atende com uma voz extremamente preocupada dizendo ''Taylor, é você?''. Seu tom de voz já me dizia, poderia ter meus 22 anos de agora, ou até 40, mas sempre poderia estar encrencada.

domingo, 16 de setembro de 2012

Capítulo 1

Não conseguia aceitar o que havia acabado de acontecer naquela cama bagunçada, era difícil dizer se minha vontade era chorar de felicidade ou arrependimento. Eu havia voado até o céu, mas ao cair quase pude sentir todos meus ossos se quebrarem. Olhei para o lençol branco que me cobria apenas para me certificar, mais uma vez, que eu não estava em minha cama com meu pijama de gatinhos, mas eu não estava.
Peguei meu celular que estava jogado no outro lado do quarto, junto com boa parte das minhas coisas, e haviam doze ligações perdidas, e todas de mamãe. Disquei seu número com meus dedos trêmulos, porém caiu na caixa postal.
-Hum, mãe... Sou eu, a Taylor. Bom, acho que você já sabe aonde eu estou, não é? Mas, por favor me atenda! Eu sei que você deve estar super zangada, mas eu preciso conversar com você, sabe mamãe, aconteceu algo que eu não sei se deveria ter acontecido. Só me ligue então, por favor.
O apartamento de hotel estava completamente vazio, frio e silencioso. Voltei para a cama e joguei um cobertor até meu rosto. Com força, fechei meus olhos, com a esperança de com que aquela ação os pensamentos ruins saíssem de minha mente.
Comecei a me sentir sufocada e joguei o cobertor longe e sentei rapidamente na cama para recuperar o fôlego, então foi ai que eu vi um bilhete ao lado do meu travesseiro.

Bom dia loirinha,
Não quis te acordar, mas já deixei seu café da manhã pronto, minhas panquecas não são tão boas quanto as suas, mas ao menos tentei.
Te espero para almoçar ao meio dia e meio no mesmo restaurante que jantamos ontem.

Olhei para o relógio na parede e já se passavam das duas, dei um pulo e nesse exato momento ouço a porta se abrir. Apertei mais forte o lençol branco que se enrolava em meu corpo e fui até a sala.
-Juro que tentei não fazer barulho para não te acordar.- Ele disse ao me ver escorada na porta.
-Não acordei agora.- Tentei arrumar meu cabelo bagunçado em vão.- Quase agora, mas desculpe por não ter ido almoçar.
-Não, tudo bem. Foi melhor assim, estava cheio de paparazzis por lá, mas eu já pedi um almoço para você.- Ele se aproximou de mim, estendendo sua mão para acariciar meu rosto, fazendo com que eu me afastasse.- O que foi? Você está estranha hoje.
-Eu... Eu acho que não deveria ter vindo.- Corri para o quarto e comecei a procurar uma roupa na minha mala completamente organizada.- Acho que o que fizemos não foi certo.
-Mas por que?- Perguntou ele calmamente ao sentar no chão ao meu lado.
-Eu me sinto imunda! Me sinto a maior vadia de todos os tempos!- Gritei com a vós embriagada em lágrimas.
-Não Taylor, você e o Conor terminaram, ele é quem foi o sujo nessa história! O que aconteceu entre nós foi algo inevitável, você sabe muito bem que o que rolava entre nós era uma bomba relógio.
-Nós terminamos ontem, eu mal tive tempo de pensar! E quando acordei percebi que estava aqui. Não vou negar que foi a melhor noite da minha vida, mas estou me sentindo culpada e...
-Culpada? Ele te traiu!
-E o que fiz foi quase tão pior! Logo depois que nós terminamos eu mal tive tempo de chorar e voei para te ver e então, você sabe.
-Eu sei.- Ele me abraçou e secou minhas lágrimas com um sorriso acolhedor em seu rosto.- Nada disso importa, estamos juntos mais uma vez, não é? Acho que deveríamos apenas aproveitar isso.